Pós-covid: 51% dos internados têm piora na qualidade de vida, diz estudo

Um artigo publicado hoje na Revista da SBMT (Sociedade Brasileira de Medicina Tropical) aponta que até 51% dos pacientes que tiveram covid-19 e passaram por internação relatam piora na qualidade de vida após a alta hospitalar.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), que fizeram uma revisão da literatura existente nas seis principais bases de dados científicos da área do mundo.

Eles chegaram à conclusão de que as mulheres e os idosos com comorbidades são os que apresentam percentuais mais elevados de piora na qualidade de vida pós covid-19. O tempo de permanência no hospital e a duração da ventilação mecânica, utilizada nos casos mais graves, também foram pontos que aumentaram as chances de piora na qualidade de vida.

“Outros fatores incluíram a presença e o número de comorbidades, menor capacidade vital forçada, índice de massa corporal elevado, histórico de tabagismo, graduação e desemprego”, cita o estudo.

A diferença de repercussão entre os sexos chamou a atenção dos pesquisadores. “Foram os homens que necessitaram mais de hospitalização, apresentavam uma forma clínica mais grave e fatal da doença. Já as mulheres cursavam para uma pior qualidade de vida meses após a alta”, explica um dos autores do estudo, o pesquisador da UFVJM Henrique Silveira Costa.

Segundo ele, isso ocorre porque, na maioria das vezes, as mulheres tinham sintomas durante um tempo maior que os homens. “Já em relação à idade, o que a literatura trouxe é que a idade avançada contribui muito para uma recuperação mais lenta da saúde tanto física como saúde mental desses pacientes”, aponta.

Costa explica ainda que, por conta do estudo ser de revisão da literatura já produzida sobre esses casos, não há como ter um percentual exato das afetadas, por isso, concluíram que até 51% dos hospitalizados tiveram piora na qualidade de vida após a alta.

“O tempo de acompanhamento dos pacientes variou bastante, de 15 dias a 6 meses, o que influencia nos resultados. Temos variáveis que interferem nessa variação além do acompanhamento, como a necessidade de ventilação mecânica, dias de hospitalização”, diz.

Segundo Costa, a qualidade de vida foi avaliada por sete questionários diferentes. Um dos estudos usados aponta que 44,1% dos pacientes tiveram problemas físicos e 39,1%, mental. “A gente já esperava uma porcentagem alta pela experiência que tínhamos aqui com o trabalho de residência”, diz.

Dados de 2020 a 2022

Ao todo, no conjunto de estudos analisados, 5.225 pacientes pós-covid foram avaliados. De mais de três mil artigos, 24 foram escolhidos —publicados entre 2020 a 2022—, que consideraram aspectos físicos, mentais e sociais dos pacientes.

Segundo os estudos, os pacientes relatam com frequência sintomas como dor, desconforto, ansiedade e depressão. “A qualidade de vida pareceu pior em pacientes internados na UTI [unidade de terapia intensiva], do que na enfermaria”, diz o estudo.

“As melhoras na qualidade de vida após a alta hospitalar são independentes da melhora, e parece não haver associação entre a qualidade de vida após a alta hospitalar e a gravidade da doença na admissão hospitalar”. – Artigo na SBMT.

O artigo defende que mais estudos em pacientes pós-covid são necessários, e as dores relatadas podem ter múltiplas causas. “A dor pode ser uma consequência de uma infecção viral no sistema neuromuscular periférico ou sistema nervoso central, ou pode ocorrer como resultado de ventilação mecânica, ou pode ser secundária a síndromes”, diz o texto.

As dores nas articulações, peito, cefaleia (dor de cabeça) e mialgia (dor muscular) estão entre os sintomas mais citados pelos pacientes pesquisados.

Um dos fatores que também chamou a atenção é como os pacientes apontam o medo de reinfecção e estigma social. Segundo um dos estudos analisados, o medo de reinfecção pela exposição hospitalar e estigma social foi experimentado por 51% e 49% dos doadores de plasma, respectivamente.

“Esses resultados sugerem que não só os aspectos físicos, mas também a saúde mental, ansiedade, depressão e medo de pacientes pós-covid-19 devem ser abordados no acompanhamento pós-alta”, ressalta.

Fonte: Uol

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