Mitos sobre pesquisa política




A pesquisa política ainda enfrenta muitos preconceitos que restringem o seu uso nas campanhas eleitorais. Certas afirmações se constituem em verdadeiros mitos, que nutridos pela ignorância convergem para a conclusão de que pesquisa política é dispensável numa campanha eleitoral.

 

“Eu conheço os eleitores e não preciso de pesquisa”
Com exceção de eleições legislativas municipais, em cidades pequenas, um candidato conhece apenas uma pequena fração dos eleitores, por mais eleições que tenha disputado. Além disso, aqueles que ele conhece já são, na sua maioria, seus eleitores. Estas pessoas, portanto, não são uma amostra realista do conjunto do eleitorado. A pesquisa, com uma amostra representativa do eleitorado, extraída por procedimentos estatísticos aleatórios e probabilísticos, é a única forma de se ter conhecimento confiável sobre os eleitores.

 

“Não preciso de pesquisa para dizer-me o que pensar e o que fazer”
Numa democracia, os governantes são eleitos para governar, mas também para representar os eleitores. Aliás, esta é a maneira como os eleitores encaram a eleição. Votam em quem eles acham que vão representar seus interesses, respeitar seus sentimentos e atender as suas expectativas.

 

É claro que o candidato não se resume a um “porta voz” dos seus eleitores. Como líder político, ele tem opiniões e convicções que nem sempre vão coincidir com a dos que nele votaram. Como governante enfrentará situações complexas e urgentes que exigem presteza decisória e coragem para assumir as conseqüências das suas decisões, que muitas vezes serão impopulares. Se, entretanto, sua candidatura não estiver alicerçada numa sintonia com os sentimentos e prioridades dos eleitores, dificilmente será eleito.

 

A pesquisa é o instrumento para saber o que os eleitores pensam e querem, informação indispensável para estabelecer aquela sintonia da qual depende sua viabilidade eleitoral.

 

“Pesquisa é muito cara. Prefiro aplicar este dinheiro em outras áreas”
De todos os mitos que cercam a pesquisa política, este é o que aparece com maior freqüência. É verdade que uma pesquisa de boa qualidade profissional não é barata. A questão porém é outra: Ela é necessária ou não?


Se a resposta for afirmativa, tem que haver recursos para bancá-la. A situação é análoga a de uma pessoa doente. Pode faltar dinheiro para tudo, menos para pagar o médico e os medicamentos.

 

Por outro lado, o custo de um programa de pesquisa de boa qualidade, para uma campanha eleitoral de porte médio, fica em torno de 5 a 10% do seu orçamento. Considerando os resultados que podem ser obtidos, e sua utilidade para orientar a estratégia e o marketing da campanha, esta é uma despesa plenamente justificada.

 

“Tudo o que preciso saber é a minha posição na campanha”

Na realidade, o candidato precisa saber muito mais do que apenas sua posição na grade de intenção de votos. As informações sobre intenção de voto e rejeição são mais importantes e o candidato pode ter acesso a elas sem despesas, usando as pesquisas realizadas pelos órgãos de comunicação que cobrem a campanha. Elas são importantes sobretudo para consolidar apoios e captar recursos. Estas pesquisas entretanto não subsidiam a campanha com as informações necessárias para ganhar a eleição. Não basta conhecer a intenção de voto e a rejeição, é preciso conhecer as razões da intenção e da rejeição.

 

Estas informações são obtidas identificando opiniões, atitudes, sentimentos e valores do eleitor. Testando propostas, argumentos e comparando pontos fortes e fracos da imagem do candidato e dos adversários.

 

“Vamos usar o pessoal da campanha para fazer pesquisa”

Esta afirmação é um exemplo emblemático do “barato que sai caro”. A pesquisa política não é em nada diferente da pesquisa científica, adotando os mesmos procedimentos metodológicos que aquele. Extraída a amostra pelo procedimento estatístico padrão, a questão da confiabilidade dos resultados passa a depender da qualidade do trabalho do entrevistador.

 

A aplicação correta de um questionário que mede opiniões, sentimentos e valores, demanda entrevistadores qualificados, especialmente treinados para fazer a entrevista mantendo a mais rigorosa neutralidade. O “pessoal da campanha” certamente não é o mais indicado para uma tarefa tão especializada.

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